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Desenvolvimento

Data grid moderno chega ao Power Apps: quando vale migrar seus canvas apps

Em um projeto de canvas app típico, boa parte do tempo de desenvolvimento não vai para a lógica de negócio: vai para montar uma grade de dados que mostre uma lista grande de registros com busca, ordenação e seleção, sem travar o aplicativo quando o volume de linhas cresce. Nos projetos que a S4R conduz, esse componente aparece em praticamente todo app corporativo relevante, seja um painel de aprovação, um catálogo de produtos ou uma lista de chamados. É exatamente esse componente que a Microsoft acaba de tornar disponível de forma geral: o data grid moderno para canvas apps.

O anúncio faz parte da atualização de recursos do Power Platform de julho e agosto de 2026 e traz outras novidades, mas o data grid moderno é a que tem maior chance de afetar apps já em produção, porque substitui um componente que muitos times já usavam em versão de pré-visualização ou tentavam recriar manualmente com galerias e controles combinados.

O problema que o controle antigo deixava exposto

Antes da disponibilidade geral do data grid moderno, exibir uma tabela de dados densa em um canvas app normalmente significava uma de duas escolhas. A primeira era usar a galeria padrão, adaptada para simular uma grade, o que funciona para poucos registros, mas degrada em desempenho e em usabilidade à medida que o volume cresce e que a necessidade de ordenar por múltiplas colunas aparece. A segunda era recorrer a componentes de terceiros ou a soluções customizadas em PCF, que resolvem o problema, mas aumentam a complexidade de manutenção do app e dependem de conhecimento mais avançado da plataforma.

Construído sobre o Fluent UI, o novo data grid entrega, como parte padrão da plataforma, busca embutida, ordenação, seleção de linhas e tipos de coluna mais ricos, sem exigir controle customizado. Isso reduz a distância entre o que um maker consegue montar sozinho e o que antes exigia apoio de um desenvolvedor profissional.

Vale registrar também o que muda do lado de quem usa o app todos os dias, não só de quem o constrói. Por seguir o padrão visual do Fluent UI, o novo grid herda comportamentos de acessibilidade e de navegação por teclado que um controle montado à mão dificilmente reproduz com a mesma consistência. Em empresas que atendem público externo por canvas apps, isso reduz um tipo de risco de conformidade que costuma passar despercebido até uma auditoria de acessibilidade apontar o problema.

O que muda para quem já tem apps em produção

Para quem sustenta canvas apps que hoje usam galeria adaptada ou componente customizado para exibir listas grandes, a disponibilidade geral do data grid moderno abre uma pergunta prática: vale migrar o que já está em produção e funcionando? Não existe resposta única. Depende de três fatores que recomendamos avaliar antes de decidir:

  • Desempenho atual: se o app já apresenta lentidão perceptível ao carregar listas grandes, a migração tende a resolver um problema real, não apenas uma questão estética.
  • Complexidade da lógica associada à grade: apps que têm regras de negócio muito específicas amarradas ao controle atual (formatação condicional complexa, integração com componentes customizados) exigem um levantamento mais cuidadoso antes de trocar o componente.
  • Ciclo de vida do app: um aplicativo em fase final de vida útil, prestes a ser substituído ou descontinuado, raramente justifica o esforço de migração, por melhor que seja o componente novo.

Em apps novos, a decisão é mais simples: começar já usando o data grid moderno evita herdar, desde o primeiro dia, uma limitação que o mercado já resolveu.

Impacto na governança de ambientes

Um componente padrão de plataforma, mantido diretamente pela Microsoft, tem uma vantagem de governança que componentes customizados não têm: atualizações de segurança e de acessibilidade chegam automaticamente, sem depender de um desenvolvedor específico revisitar o código do controle. Isso reduz um tipo de risco que costuma passar despercebido em auditorias de Power Platform, que é a dependência de componentes customizados mantidos por uma única pessoa, que pode não estar mais na empresa quando uma correção se tornar necessária.

Por outro lado, times que já investiram em componentes customizados de grade, com funcionalidades específicas que o data grid moderno ainda não cobre, precisam avaliar se faz sentido manter os dois padrões convivendo, documentando claramente em quais cenários usar cada um, para evitar que times diferentes tomem decisões divergentes sem critério definido.

Essa documentação importa mais do que parece numa primeira leitura. Sem um critério escrito, é comum que um maker novo, ao entrar num projeto em andamento, replique o componente customizado por hábito, mesmo em cenários simples que o data grid moderno já resolveria sozinho. O resultado, alguns meses depois, é um portfólio de apps com dois padrões de grade coexistindo sem justificativa técnica, o que dificulta tanto a manutenção quanto o treinamento de quem chega depois.

Outras novidades da atualização que merecem menção

A atualização de julho e agosto de 2026 do Power Platform inclui outros itens além do data grid moderno, voltados a diferentes frentes da plataforma. Nem todo recurso dessa lista exige ação imediata: parte é relevante para times que já usam funcionalidades específicas de automação ou de administração de ambientes, e parte serve apenas como registro de evolução contínua da plataforma. Recomendamos que times responsáveis por Power Platform revisem a lista completa da atualização com atenção a qualquer item que toque diretamente em app crítico já em produção, mesmo que esse artigo não entre em detalhe sobre cada um deles.

Esse tipo de atualização mensal costuma ser tratado como leitura opcional por equipes menores, que priorizam entregar o próximo aplicativo em vez de acompanhar changelog de plataforma. O custo desse hábito aparece mais tarde, quando um recurso já disponível há meses é redescoberto por acidente, depois de a equipe já ter gasto tempo construindo, na unha, algo que a própria plataforma passou a oferecer pronto.

O que pode esperar

Se seus canvas apps atuais já atendem bem ao volume de dados que exibem, sem reclamação de desempenho ou de usabilidade, não existe urgência em migrar para o data grid moderno apenas porque ele está disponível. A disponibilidade geral de um componente não obriga substituição do que já funciona; amplia a opção disponível para quem está construindo algo novo ou revisando algo que já dá trabalho de manter.

Por onde começar

Para decidir com critério, recomendamos um levantamento simples: liste os canvas apps em produção que usam galeria adaptada como grade de dados, marque quais já apresentam qualquer sinal de lentidão ou reclamação de usuário, e priorize a migração por esses primeiro. Apps novos, a partir de agora, podem simplesmente nascer usando o componente padrão, sem passar pela etapa intermediária de simular uma grade com outros controles.

Esse levantamento, feito uma vez, também serve como base para decidir se vale padronizar o uso do data grid moderno como regra para novos desenvolvimentos dentro da política interna de Power Platform da empresa, evitando que cada time escolha uma abordagem diferente para o mesmo problema.

Avaliação técnica antes de migrar

Trocar um componente central de um app em produção, mesmo quando a promessa é de ganho de desempenho, merece avaliação técnica prévia, principalmente em apps com lógica de negócio complexa amarrada à grade atual. Se sua empresa quer revisar quais canvas apps são bons candidatos à migração para o data grid moderno, ou definir um padrão interno de uso desse componente, um especialista da S4R pode ajudar a priorizar essa avaliação dentro do backlog de sustentação já existente.

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