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por S4R
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13 jan 2026
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Nos últimos meses, em várias conversas com clientes, notei que há um pensamento em comum: não faz mais sentido falar só em “fazer app rápido”. O que estão buscando é uma camada inteligente sobre o negócio, capaz de entender contexto, relacionamentos entre clientes, contratos e indicadores de risco e reagir a isso em tempo quase real. O Microsoft Power Platform está caminhando, exatamente, nessa direção, usando IA e low-code para ir muito além da digitalização de formulários. A ideia é ajudar as empresas a enxergar o que realmente move o resultado, priorizar automaticamente as tarefas mais críticas, antecipar problemas antes que estourem na operação e apoiar as decisões da diretoria com informações vivas do dia a dia, e não apenas com relatórios frios entregues no fim do mês. Falando em relatórios, por exemplo, iniciamos recentemente um projeto em que os diretores deixarão de acessar dashboards no Power BI para “caçar” a informação; em vez disso, passam a conversar com o Copilot, pedindo diretamente os indicadores, comparações e análises que precisam, no contexto do negócio e em linguagem natural. Isso reduz o atrito na tomada de decisão, aproxima ainda mais a liderança dos dados e mostra, na prática, como essa camada inteligente muda a forma como a empresa lê e reage à própria operação.


As empresas que mais estão avançando em transformação digital já perceberam que não basta “fazer app rápido”. Nas conversas dos últimos meses com clientes, um padrão se repete: a real necessidade é ter uma camada inteligente sobre o negócio, capaz de entender contexto, conectar dados de várias fontes e ajudar a tomar decisões melhores em menos tempo. É exatamente nessa direção que o Microsoft Power Platform vem evoluindo, unindo IA e low-code para ir muito além da simples digitalização de formulários.

Além do app rápido: o que é uma “camada inteligente”

Quando se fala em Power Platform, muita gente ainda pensa apenas em construir telas e fluxos com pouco código. Na prática, isso já virou o mínimo esperado. A nova fronteira está em criar workloads inteligentes: soluções que combinam dados, automação e IA para entregar resultado de negócio, não apenas interfaces bonitas.

A camada inteligente é responsável por:

  • Entender o contexto (quem é o cliente, qual contrato, qual nível de risco, qual SLA).
  • ​Conectar relacionamentos entre sistemas e processos (CRM, ERP, financeiro, atendimento, planilhas).
  • ​Interpretar a intenção do usuário, ou seja, o que ele quer resolver naquele momento, e não só o que ele está clicando.

O resultado é um tipo de solução que “puxa” a operação para frente, em vez de apenas registrar o que já aconteceu.

Exemplos do dia a dia,ou seja, onde isso aparece

Para ficar mais concreto, vale olhar como essa visão se materializa em cenários reais de clientes.

Atendimento e operações

Em muitas empresas, o fluxo tradicional de atendimento se resume a registrar chamados, classificar manualmente e tentar dar conta da fila. Com Power Platform, esse processo passa a ser inteligente.

  • Cada chamado pode ser classificado automaticamente por urgência, tipo de problema e impacto no cliente, usando IA treinada com histórico de tickets.
  • O sistema verifica se o cliente é estratégico, quais contratos estão ativos, se há pendências ou reclamações recentes e já sugere o melhor tratamento para o time.

Na prática, o analista deixa de “apagar incêndio” cegamente e passa a agir com prioridade clara, reduzindo tempo de resposta e melhorando a qualidade do atendimento.

Financeiro e backoffice

Outro exemplo clássico é o processo de aprovação financeira. Em muitos lugares, ainda é um fluxo de e-mails e planilhas, com risco de erro e atrasos. Com Power Platform e IA Builder, o cenário muda bastante.​

  • Notas fiscais e pedidos são lidos automaticamente, com extração de valores, fornecedores, datas e impostos.
  • As regras de política interna são aplicadas em segundo plano, identificando o que está dentro do padrão e o que precisa de atenção.

Assim, gestores só analisam as exceções relevantes, o tempo de ciclo cai e o controle aumenta, sem crescer o time administrativo.

Diretoria e relatórios: saindo da “caça ao dashboard”

Talvez o exemplo mais simbólico da mudança de paradigma esteja na forma como a diretoria consome informação. Em vez de navegar por vários dashboards de Power BI para “caçar” dados, o movimento agora é conversar com o Copilot e deixar que ele traga as respostas no contexto certo.

Em um projeto recente, por exemplo, os diretores passaram a perguntar diretamente:

  • “Como está a margem deste mês em comparação com o mesmo período do ano passado?”
  • “Quais clientes mais cresceram nos últimos 90 dias e quais reduziram compras?”

O Copilot acessa os modelos e relatórios já existentes, interpreta a pergunta, retorna os indicadores, destaca pontos de atenção e, quando necessário, aprofunda com detalhes adicionais. Isso reduz o atrito na tomada de decisão, aproxima ainda mais a liderança dos dados e mostra, na prática, como essa camada inteligente muda a forma como a empresa lê e reage à própria operação.

Como a Power Platform viabiliza essa inteligência

Por trás desses exemplos, existem alguns blocos bem claros dentro do ecossistema Microsoft.

  • Dados conectados
    • O Dataverse e os conectores permitem integrar sistemas legados, ERPs, CRMs, planilhas e APIs em uma base consistente, sobre a qual a inteligência pode atuar.
  • Automação orquestrada
    • Com Power Automate, é possível orquestrar tarefas, notificações, aprovações e integrações entre sistemas, garantindo que o fluxo de trabalho siga regras claras e auditáveis.
  • Inteligência aplicada
    • Copilot e AI Builder trazem modelos de IA para classificação, previsão, extração de dados e geração de conteúdo, além de ajudarem o próprio time a construir apps e fluxos a partir de descrição em linguagem natural.

Quando esses componentes trabalham juntos, a empresa deixa de depender apenas de “mais pessoas” para escalar processos e passa a contar com uma base digital que aprende, sugere e automatiza.

O que muda para o C‑level e por onde começar

Do ponto de vista do C‑level, o tema deixa de ser “qual app vamos fazer” e passa a ser “qual capacidade de resposta queremos construir para o negócio”. A questão central é reduzir o tempo entre o surgimento de um problema ou oportunidade e a reação da empresa, com base em dados confiáveis.

Um bom caminho para começar é escolher um processo crítico e visível, por exemplo, atendimento premium, aprovação financeira ou relatórios executivos e transformá-lo em um workload inteligente piloto. Em poucas semanas, já é possível medir:​

  • Quanto tempo foi economizado.
  • Quantos erros ou retrabalhos foram evitados.
  • Que tipo de decisão passou a ser tomada mais rápido ou com mais segurança.

Esses resultados alimentam a conversa estratégica e ajudam a desenhar uma roadmap maior, em que a Power Platform deixa de ser apenas “caixa de ferramentas de TI” e passa a ser o motor de uma estratégia contínua de automação e inteligência de negócio.

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